Thursday, February 22, 2007

Cena e cinema

em um quarto
quadro a quadro vinte e quatro quadros por segundo
a menina corre à sala, senta e assiste
a cena que corre recorde mundial
onde está a menina?

olhar vidrado na tela a procura do invisível
o olho está nu
a câmara escura
a sala escura
cavidade negra noite sem lua
espectador à espera da luz de estrelas e astros
signos de sonhos e fantasias
vividas em histórias fantásticas
melodias visuais de sons cegos
olhos seguem na velocidade do vácuo
oco oca ecoa
pip - poc
pula e pega o instante inesquecível

Há vida atrás da tela
foi descoberta e aberta ao público
registrada em documentário
exibida em salas de projeção
ou projetada em salas de exibição?
mas há quem duvide se é vida
É ou não é, será a questão?
Nada mais é e nunca foi
Tudo agora é o que se quer
Pode ser o não-ser sonso
Supérflutuante alienígena alado
O ambiente é virtual

Jogo de mimeses
artida ou vidarte ?
se inventa, arte
se reinventa, vida
se registra, foto
se edita, filme
se cena, cinema
se lota, sucesso
se ibope, tevê
se pára, anuncia
se vende, venceu
onde está a menina?

(Júlia Machado)

Wednesday, June 28, 2006

La Phalange, revista fourierista, 1845

A arte, expressão da Sociedade,
exprime, em seu vôo mais elevado,
as tendências sociais mais avançadas;
ela é precursora e reveladora.
Ora, para saber se a arte cumpre dignamente seu papel de iniciadora,
se o artista é mesmo de vanguarda,
é necessário saber
para onde vai a Humanidade, qual é o destino da Espécie

Saturday, June 10, 2006

Mais tempo para Poesia?

Júlia Machado

De frente para a parede
Cara tapada
Olhos fechados
1...2...3...4...
Fico aí contando tempo para Poesia se esconder.

Epa!
Me toco que estou de bobeira na brincadeira
De repente me dou conta e me dá medo
Será que ainda encontro Poesia?

Ela,
que caminha por caminhos impossíveis
Eu,
que ando sempre no mais possível possível

E agora, que não acho?

Fico nesse passo marcado
Previsível a procura do invisível
Ela sempre na pontuação
Vírgula, exclamação, continuação...
Talvez silêncio
Talvez suspiro
Talvez descanso
Talvez o talvez do desvio
Eu, sempre na palavra
Não rascunho
não rabisco
não arrisco
Não nada nunca além do mesmo
Cumprindo o encomendado
Delimitando o definitivo
Laudas perdidas
Tempo contado n

Letras + Imagem = Poesia


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Friday, May 12, 2006

Júlia Machado

emcimadomeupescoço
plantaram uma cabeça
e desde que me lembro
ela pensaque memanda.

Por onde quer que ande
Debruçada com seus planos
Pesa sobre meus passos

Piro, despisto
a caminho de fugir
Ela vigia e segue séria
Já pensei, que tal esquecê-la?
Mas, não deixa, não me deixa.

Um dia desses disse firme
Se manca e dá o fora!
E Ela nem deu bola.

Vê se me dá um descanso
Deixa-me andar sem destino.
Tenho direito de ser torta
e ficar do avesso, por vezes.


Em silêncio me ouve
Me observa, no fundo sabe
que de tudo, nada lhe escapa
Fico confusa com minhas palavras
E Ela só de olho
Madura, plantada sobre meu pescoço.