Júlia Machado
De frente para a parede
Cara tapada
Olhos fechados
1...2...3...4...
Fico aí contando tempo para Poesia se esconder.
Epa!
Me toco que estou de bobeira na brincadeira
De repente me dou conta e me dá medo
Será que ainda encontro Poesia?
Ela,
que caminha por caminhos impossíveis
Eu,
que ando sempre no mais possível possível
E agora, que não acho?
Fico nesse passo marcado
Previsível a procura do invisível
Ela sempre na pontuação
Vírgula, exclamação, continuação...
Talvez silêncio
Talvez suspiro
Talvez descanso
Talvez o talvez do desvio
Eu, sempre na palavra
Não rascunho
não rabisco
não arrisco
Não nada nunca além do mesmo
Cumprindo o encomendado
Delimitando o definitivo
Laudas perdidas
Tempo contado n
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